segunda-feira, 1 de novembro de 2021

amante morte

 esse invólucro vil de pele freme

ante o suspiro que precede o fim

chegaste enfim senhora sombria

beija-me a fronte, faz-me seu consorte


fardo árduo carrega comigo

arrastando esta ida miserável

sobre esses ombros fracos

dor aguda, companheira inefável


sem mês, dia ou hora marcados

inevitável, sempre chegas

donzela dos lábios de marfim


enamorada, sempre ao meu lado

me espreitava pela fresta do tempo

eras tú o início, e sempre fostes meu fim.

amantes sem pudor

 transa de corpos, transe de almas

êxtase supremo, tesão

entrelaçar de sentidos e pernas

os dois se fundem, e um só agora são


fêmea, o corpo marcado de dentes e unhas

todos meus sentidos são teus

me faz trepar como bicho

me faz gozar como um Deus.


pêlos, pele , volúpia partilhada

não há neutralidade individual

entre os lençóis seu ar é meu ar


emoldurados nessa cama

dividimos alma, saliva e suor

e as delícias da pequena morte que é gozar.

o estranho reflexo

 esse estranho eu que no espelho fito

reflexo ávido, interrogador algoz

que pensa, que queres tú?

será você dono do meu destino atroz ?


trás arraigado um passado de quimeras

essa face triste, malfadado retrato

agora com marcas urdida , fundas

para um presente que assisto estupefato


trama do destino em viés

entendo quão enigmático este estigma

és porque sou, serei porque hoje és


louca e interessante metamorfose

vão-se os anos e a juventude

ficam, eu e você em perfeita simbiose.

simbiose de prazer

 sussurros e arrepios 

secreções e substâncias

o quadril em inconstância

dentro, fora...eflúvios 


corpo e mente que gozam

meu eu em você indelevelmente

recônditos templos profanam

somos deuses pagãos em deleite


o fremer do teu corpo

sob e sobre o meu 

nós em perfeita simbiose


êxtase supremo

quando um de prazer morre

para que o outro goze...

sapio e sex

 pele na pela em fricção

palavras sujas apo ouvido

sem peso ou medida, fruição

sussurro, mordida, gemido


lábios e dedos sedentos 

mãos inconstantes , furor

fazendo eriçar os pêlos

sem juízo, sem roupas, nem pudor


mulher, fêmea, deusa

templo em que me prostro a venerá-la

o amante servil, a chama acessa


e quando possuí-la eu não me esqueça

antes de por a língua entre suas pernas 

é preciso por tesão em tua cabeça.

alma nua

 alma, 

exige calma 

respira 

acalma...

sentinela vagante

sob eras

segue constante.

por vezes

atribulada, errante

vaga...

velha ,cansada

exige de mim calma

tesouro meu

respiro

aceito...

quero paz,

seguir

só eu 

só nós

com calma na alma.

breve presente

 tempo guardião

parceiro invisível

tênue linha do antes até o agora

efêmero 

frágil

faz do homem o que ele foi e fez

faz da vida um presente

presente

contada em lembranças

versos 

instantes breves...

com esmero nos lapida

e nos prepara pra delicadeza e dor de viver 

e a vida

se esvai por entre o dedos 

e o tempo fica 

não passa 

e a gente se vai ...